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quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Somos o que comemos

Existe a velha máxima de que nós somos o que comemos. De fato, tudo aquilo que colocamos para dentro do organismo irá ter grande influência no funcionamento dele como um todo. Qual será a grande diferença fisiológica entre um mesmo alimento produzido de forma agroecológica e outro de maneira convencional?
Vamos começar pela maneira como são tratados no campo. Na produção convencional, o adubo utilizado é altamente solúvel, facilitando a absorção pelas raízes. É quase como receber um alimento mastigado, tendo o trabalho apenas de engolir. Por este motivo, na agricultura convencional, tem-se um rápido desenvolvimento dos cultivos. Durante o eu desenvolvimento, qualquer praga ou patógeno que porventura ataque a lavoura, será imediatamente combatido com inseticidas, fungicidas, ou qualquer outro tipo de molécula química. Ou seja, um alimento produzido de maneira convencional é como uma criança mimada, que recebeu tudo de mão beijada e foi poupada de todas as dificuldades da vida.
Por outro lado, o mesmo alimento cultivado em sistema agroecológico, recebe adubos com menor solubilidade, ou seja, a planta precisa fazer um certo "esforço" para adquirir os seus nutrientes. Quando ocorre o ataque de insetos e patógenos, faz-se o uso de repelentes naturais, os quais ainda não impedem que a lavoura seja atacada. Desta forma, a planta deve desenvolver defesas fisiológicas contra o ataque de patógenos, e também se recuperar de ataques de insetos que consomem a sua estrutura. Desta forma, temos um indivíduo que precisou batalhar por seu alimento e se defender de forças contrárias.
Estas diferenças na fisiologia se confirmaram em um estudo realizado pela sociedade britânica de nutrição, que constatou um aumento de 20% no teor de antioxidantes de alimentos orgânicos em relação aos convencionais. A geração de antioxidantes pelos vegetais está associada aos fatores fisiológicos que foram mencionados acima. Coincidência ou não, os antioxidantes são fundamentais para o bom funcionamento do organismo, dando mais disposição no dia a dia, retardando o envelhecimento e aprimorando as defesas do organismo.
Ou seja, fica cientificamente demonstrado que realmente somos o que comemos: ao ingerir um alimento que foi tratado como "criança mimada", teremos menos antioxidantes e consequentemente menos vitalidade e disposição para enfrentar as adversidades do dia a dia, já se ingerirmos um alimento que teve que lutar para vencer, teremos mais antioxidantes que nos darão mais força e disposição para vencer as adversidades do dia a dia.
Desta forma, os benefícios do consumo de alimentos orgânicos vão além da ausência de agrotóxicos. Aproveite o melhor que a natureza nos oferece!!

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Controle biológico de pragas: como parar de enxugar gelo no campo

Desde o início da chamada revolução verde, a agricultura tem experimentado um aumento exponencial em produtividade. Um dos fatores que levaram a isso foi o uso dos agrotóxicos. Contudo, a utilização destes insumos encontra um grande obstáculo: a resistência que insetos, ácaros, nematóides, fungos e plantas espontâneas adquirem a inseticidas, fungicidas, herbicidas e outros mais. É sempre necessário se desenvolver novas moléculas porque as antigas já não fazem o mesmo efeito. Até mesmo os transgênicos, que prometiam ser a solução final para o controle de pragas, já estão perdendo eficácia em alguns casos.

É a velha história de enxugar gelo. Isso porque a resistência aos químicos é mais fácil de ser adquirida ao longo das gerações. Esta forma de controle de pragas ignora duas relações existentes na natureza que são o predatismo e o parasitismo. Ao contrário do uso de agroquímicos, é uma relação que existe a milhares de anos, e os insetos praga dificilmente adquirem resistência a este tipo de controle. O controle biológico de pragas é uma ferramenta muito utilizada na agricultura orgânica, e até mesmo as grandes empresas do agronegócio já estão se rendendo a este método natural de evitar a proliferação de insetos prejudiciais às plantações.

Desta forma, é mais proveitoso estudar as relações naturais existentes entre insetos, predadores e parasitas, e aplicar na agricultura como uma forma de garantir a produção de alimentos, do que ficar desenvolvendo moléculas químicas e OGMs que invariavelmente irão perder seu efeito ao longo do tempo. É necessário parar de enxugar gelo e prestar mais atenção na grande obra de engenharia que pouco conhecemos: a natureza. Assim, poderemos utilizar seus recursos a nosso favor e ainda a preservaremos!

Luis Eduardo Arns Pereira

Agrônomo e Gestor do Balaio Orgânico

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Desequilíbrio ambiental prejudica polinizadores e a agricultura

Diversos estudos tem constatado a redução das populações de insetos polinizadores, entre os vários tipos de abelhas, borboletas, além de pássaros que também se alimentam do néctar das flores. Isto é algo que deve ser visto com muita atenção, pois muitas hortaliças, frutas e até alguns grãos dependem de polinizadores para que produzam em quantidade satisfatória.
Entre as prováveis causas, estão o desmatamento, uso indiscriminado de inseticidas e monocultivos. As matas são um verdadeiro estoque de alimentos para os polinizadores, pois abrigam muitas espécies vegetais que produzem pólen e néctar em grande quantidade e em períodos distintos, sendo assim, uma garantia de segurança alimentar para estes insetos e pássaros. É óbvio que, com o aumento do desmatamento, a sobrevivência dos polinizadores fica comprometida.
O uso indiscriminado de inseticidas também compromete a sobrevivência destes insetos, também por razões óbvias. A aplicação destes agrotóxicos nas lavouras prejudica as atividades dos polinizadores, além haver a possibilidade de contaminação das áreas do entorno, com o escorrimento através de enxurradas e com a deriva, através do vento. Desta forma, a contaminação do ambiente afeta diretamente as atividades e a reprodução destes insetos.
Outro ponto são as grandes áreas de monocultivo, e têm o mesmo efeito do desmatamento sobre a vida dos polinizadores: redução da quantidade, qualidade, variedade e também da constância de suprimento de pólen e néctar ao longo das estações do ano.
Desta forma, a agroecologia é, de novo, a resposta para este sério problema ambiental e agrícola. Ao prezar pela conservação de áreas florestais, e até mesmo o cultivo em agroflorestas, a produção agroecológica favorece a produção de pólen e néctar em maiores quantidades, melhor qualidade e variedade e em várias épocas do ano, garantindo a segurança alimentar dos polinizadores. Ao dispensar o uso de inseticidas, a produção orgânica favorece a sobrevivência e reprodução destes insetos. Ao buscar realizar cultivos diversificados, a agroecologia favorece também uma maior oferta, variedade e qualidade de pólen e néctar.
Sendo assim, mais uma vez fica evidenciada a importância da agricultura orgânica para nossa segurança alimentar no futuro!

Luis Eduardo Arns Pereira

Agrônomo e Gestor do Balaio Orgânico       

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Agroecologia e a estabilidade na produção de alimentos

Muito se fala sobre a possibilidade de produzir alimentos orgânicos suficientes para alimentar o mundo. De fato, ainda não é possível garantir alimentos para 7 bilhões de pessoas sem o uso de agrotóxicos, contudo, com o avanço no conhecimento e o aprimoramento das técnicas, tem-se levado a produção agroecológica a uma produtividade próxima a da convencional, em alguns casos. Ou seja, é questão de tempo até que a agricultura orgânica tenha sim, possibilidade de alimentar o mundo.

Mas a grande questão é: até quando a agricultura convencional poderá alimentar o mundo? Essa questão é relevante pelo seguinte motivo: os insumos utilizados na agricultura convencional são de fontes não renováveis: mineração e petróleo. Desta forma, a agricultura praticada em grande escala depende da disponibilidade destes recursos não renováveis, ou seja, quando começar a diminuir a oferta, a produção de alimentos será drasticamente afetada. Há ainda a questão de que a produção destes insumos está concentrada nas mãos de conglomerados cada vez maiores e que detêm cada vez mais o controle sobre a produção de alimentos, e isto é algo perigoso. Não se sabe ao certo até quando estas fontes não renováveis poderão suprir a agricultura convencional: 20 anos? 40 anos? 100? Não importa, quando estas fontes começarem a secar, o efeito será catastrófico para a humanidade.

Por outro lado, a agroecologia busca sempre a reciclagem de nutrientes na propriedade, com técnicas como adubação verde, rotação e consórcio de culturas, manejo agroflorestal, integração com produção animal, entre outros. Desta forma, há pouca ou nenhuma necessidade de receber insumos externos, diferente da agricultura convencional. A detenção dos fertilizantes também fica desconcentrada, evitando-se monopólios ou oligopólios neste setor. Ou seja, a longo prazo, a agroecologia não somente poderá alimentar o mundo, mas garantir a segurança alimentar do planeta. Por isso, é necessário a mudança de hábito desde já, para que esta segurança se concretize!

Luis Eduardo Arns Pereira
Agrônomo e Gestor do Balaio Orgânico

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Produtor orgânico: O maior empreendedor rural

Dia 28 de Julho foi o dia do agricultor. Nada mais justo um dia para homenagear este trabalhador cuja atividade é responsável pela comida na mesa de cada um de nós, correndo o risco de perder o fruto do seu trabalho com as intempéries do clima, entre tantos outros percalços. Tudo isso sem perder a motivação de todos os dias acordar cedo para trabalhar, com a esperança de que a terra irá dar o seu fruto!
 Independente do tamanho de sua terra ou do modelo de agricultura que adota, todo agricultor é um empreendedor que corre inúmeros riscos e usa de muita criatividade para driblar os problemas que surgem no caminho.

Contudo, é necessário ressaltar que dentro de um modelo de produção agroecológico, o agricultor se encontra em um nível de empreendedorismo mais complexo que em outros modelos, pelos seguintes motivos:
No modelo convencional, todos os insumos são adquiridos de fora da propriedade - adubos, agrotóxicos, sementes, entre outros - ou seja, a tecnologia vem pronta, através de um mercado cada vez mais dominado por grandes conglomerados, algo que tende a limitar o empreendedorismo na agricultura.
Por outro lado, no modelo agroecológico, o agricultor prepara o próprio adubo, prepara as caldas repelentes e preventivas contra pragas e doenças, e desenvolve, seleciona, guarda e troca suas sementes com seus vizinhos, que por sua vez, podem ter desenvolvido sementes de outras espécies em suas propriedades. Tudo isso em um complexo sistema de produção que é o sistema agroecológico, alternando e consorciando cultivos dos mais variados, visando o equilíbrio natural do conjunto estabelecido. Estas experiências geralmente são compartilhadas com o grupo de produtores orgânicos da região, enriquecendo e fortalecendo o agricultor e a atividade agrícola do local.
Ou seja, o modelo de produção orgânica leva o empreendedorismo no campo a um alto nível, o que é bom para a agricultura, para os agricultores e para todos nós de maneira geral!

Felicitações aos maiores empreendedores do campo!

Luis Eduardo Arns Pereira
Agrônomo e Gestor do Balaio Orgânico


segunda-feira, 31 de julho de 2017

Resistência aos agrotóxicos

Talvez você já tenha ouvido alguém dizer que não é necessário temer os agrotóxicos, pois o organismo desenvolve resistência, assim como as pragas desenvolvem. Mas será que isso procede?

De fato, muitos insetos adquirem resistência a alguns agrotóxicos com o passar dos anos, contudo, devemos levar em conta a maneira como eles adquirem esta resistência: a aplicação do produto nem sempre é uniforme, e nos locais em que a dosagem aplicada é menor, propicia a sobrevivência de indivíduos com certa resistência ao químico aplicado. Desta forma, ocorre a seleção da resistência, e ao longo de gerações, todos os insetos terão resistência cada vez maior ao agroquímico.

Em tese, o mesmo pode acontecer com os seres humanos. Contudo, isso levaria séculos: o ciclo de vida dos insetos é bem mais curto que o nosso: 40, 60, 90 dias, varia de espécie para espécie. Para fazer uma pequena comparação, vamos considerar que uma determinada espécie de inseto tem 3 gerações por ano (Geralmente é mais!). Isso significa que em 10 anos, haveriam 30 gerações deste inseto, sendo selecionadas em sua resistência a alguma molécula química utilizada como pesticida. É um período em que geralmente uma espécie de inseto pode desenvolver uma resistência considerável, principalmente se utilizado somente um composto químico neste período. Para que adquiríssemos a mesma resistência, teríamos que passar por esse mesmo processo de seleção, ou seja, 30 gerações. Considerando que cada geração humana é em média de 25 anos, precisaríamos de "apenas" 750 anos para atingir este mesmo nível de resistência. Isso se estivéssemos expostos a somente um tipo de molécula química. Na prática, estamos expostos a um amplo "coquetel" de moléculas: herbicidas, fungicidas, inseticidas, nematicidas, entre outros. Ou seja, não dá para confiar que nós, nossos filhos, netos e bisnetos iremos desenvolver algum tipo de resistência aos agrotóxicos.

Há que se considerar ainda um outro fator: os insetos são selecionados conforme a resistência a intoxicação aguda, o mesmo tipo de intoxicação a que os agricultores estão expostos, que é aquela fulminante, e pode levar a óbito em poucas horas. Inclusive muitos agricultores decidiram parar de usar agrotóxicos por quase terem ido desta para melhor ao manusear agrotóxicos - e eles têm certeza de que não irão adquirir alguma resistência a isso, nem seus filhos, nem seus netos. Acontece que a maioria da população está exposta a um outro tipo de intoxicação, que é a crônica. Este tipo se caracteriza pelo consumo de doses baixíssimas diariamente e que, com o passar dos anos, pode desencadear o desenvolvimento de doenças crônicas que vão desde enxaquecas até câncer. Ou seja, causam grande sofrimento e diminuem muito nossa qualidade de vida e não causam morte instantânea, como no caso da aguda. Embora hajam casos de câncer em pessoas na faixa de 20 e 30 anos, geralmente estas doenças crônicas se desenvolvem com mais intensidade após os 40 anos, depois do período reprodutivo, ou seja, o processo de seleção para resistência contra a intoxicação crônica simplesmente não ocorre. Assim sendo, não podemos ir na onda de que teremos resistência aos agrotóxicos, pois é pouco provável que isso aconteça. Melhor prevenir que remediar!

Luis Eduardo Arns Pereira
Agrônomo e Gestor do Balaio Orgânico   

quinta-feira, 27 de julho de 2017

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